sexta-feira, 29 de maio de 2009

A vida dos estudantes PALOP na cidade de Braga

Integração dos estudantes PALOP

Mais de trezentos jovens oriundos dos PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa) vivem hoje em Braga frequentando cursos do ensino superior – 200 na Universidade Católica e 113 na Universidade do Minho.
Uns integraram-se bem, outros sentiram e ainda sentem dificuldades de adaptação a um novo país e a uma cultura diferente.

Querem, na sua maioria, voltar à terra de origem quando terminarem os seus cursos.
Durante a estadia em Braga reúnem-se aqui e ali, organizam-se em associações, promovem convívios, tudo com o propósito de se sentirem menos sozinhos num país estrangeiro.
Entre pessoas tão diversas, de tão diversos países, há muitas histórias para contar.

Há muito tempo que Portugal deixou de ser, tradicionalmente, um país de emigração, tornando-se recentemente também um país de imigração.
Isto contribuiu, por um lado, para o aumento, em termos numéricos, da população residente em Portugal e, por outro, para uma maior heterogeneidade dessa população em termos religiosos, linguísticos e culturais.
Os alunos vindos dos PALOP fazem parte desta população, pois normalmente são alunos que permanecem em Portugal até concluir o curso, pelo que têm de adaptarem-se à vida no país acolhedor, o que nem sempre é fácil.

Estes estudantes, por terem vindo de países diferentes e muitos não laços no nosso país, precisam de conseguir uma boa integração, de modo a terem também um bom desempenho académico.

Mas nem todos se conseguem adaptar, ou nem sempre têm a ajuda necessária para essa adaptação e, por norma, é aqui que se dá o início de uma estadia nem sempre fácil
, comprometendo muitas vezes os objectivos académicos.

Os PALOP
são antigas colónias de Portugal em África: Angola, Cabo-Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, sendo um dos principais traços comuns a língua portuguesa.
Este facto potencia os elos de ligação entre os jovens estudantes destes países e a população portuguesa. Além disso, a institucionalização de acordos de cooperação entre Portugal e os PALOP ao nível do ensino superior permitiu que muitos estudantes oriundos destes países passassem a efectuar a sua formação académica em Portugal.

As razões para a vinda destes alunos são as mais diversas e prendem-se nomeadamente com baixa oferta de cursos de ensino superior nos seus países, pretensão de ir mais longe no seu percurso académico e também com a vontade de conhecer outros países e culturas diferentes.

No entanto, o número de alunos oriundos dos PALOP que procuram a Academia Minhota já foi bem mais significativo de acordo com alguns ex -alunos também dos PALOP. Em entrevista com a professora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho, Rosa Cabecinhas, percebemos que o número de alunos tem vindo a diminuir devido a vários factores.
Uma das razões, de acordo com a professora é sem dúvida o facto de os cinco países dos PALOP já possuírem universidades.

Este acontecimento faz com que muitos jovens já não vejam tanto a necessidade de se deslocarem para Portugal para completar os seus estudos, já que têm oportunidade de o fazer no seu próprio país.

Outro factor relevante é o facto de os portugueses já terem um estereótipo destes estudantes, o que não facilita em nada a vida e a integração dos jovens. Como a docente refere os alunos dos PALOP, “ainda são olhados de lado”. Referindo-se aos estudos que efectuou sobre esta matéria, a docente acrescenta: “Apesar de tudo, já houve uma evolução. No entanto, ainda há muito a fazer no campo da integração dos alunos dos PALOP”.

Observando atentamente estes alunos, quer no ambiente da Universidade, quer pela cidade minhota, facilmente percebemos que eles são muito tímidos e introvertidos, pois concentram-se quase sempre em grupos de alunos dos seus próprios países.
Em poucos casos deixam os portugueses entrar no seu grupo, mas é até mais fácil conviverem com alunos deslocados de outros países (Erasmus), pois sentem alguma semelhança e empatia com estes alunos, tendo com eles alguns pontos em comum.

Depois de algumas conversas de ocasião, compreendemos que estes alunos são diferentes entre si e tem características muito particulares.
O dia – a- dia dos alunos PALOP em Braga

No seu dia-a-dia, os estudantes dos PALOP realizam as mais variadas tarefas, como qualquer estudante que está longe da sua casa. Entre as tarefas domésticas e a Universidade, ainda arranjam tempo para se divertirem e praticarem desporto.
Como os jovens normais da sua idade, os estudantes cabo- também dedicam algum do seu tempo de lazer nos locais de diversão nocturna.

Todos os países do PALOP tem uma associação de estudantes em Braga. A associação dos estudantes de Cabo Verde foi a que mais se notabilizou. Em meados do ano lectivo 1998/1999 os alunos cabo-verdianos começaram a organizar-se para dar corpo a uma associação que defendesse os seus interesses e fosse reconhecida pelos outros organismos da Universidade.

É assim que no ano 2000 nasce a AECUM (Associação de Estudantes Cabo-verdianos da Universidade do Minho) tendo, como primeiro presidente Carlos Santos.
A associação tinha as suas metas e objectivos que conseguiu materializar ao longo dos anos.
Mas desde 2006 que a AECUM se encontra estagnada.

No entanto, todos os anos chegam novos alunos vindos de Cabo Verde e dos outros PALOP que gostariam de ver as suas questões respondidas e as suas
dúvidas esclarecidas para se poderem ambientar melhor ao meio português.

No entanto pode dizer-se que ainda há muito trabalho a fazer no campo da integração dos PALOP, não só na Universidade do Minho e Católica como também na cidade de Braga.

NOTA: Este trabalho jornalístico foi realizado no âmbito da unidade curricular de Projecto em Informação e Jornalismo, do 6º Semestre do Curso de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho. Por trás houve todo um trabalho de bastidores que poderá ser consultado no nosso blogue de making – of .



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